Uma visão do futuro

Eis que um certo dia, tive um sonho estranho, daqueles que não se entende no exato momento em que se acorda, mas que conforme passam os dias, as lacunas são preenchidas e o significado vai ficando mais claro – ou seria simplesmente invenção de uma mente que não suporta a idéia de um espaço vazio nesse fluxo contínuo de pensamentos que costumamos chamar de consciência? Sinceramente, não sei.

Nesse sonho eu não era mais eu, no sentido tradicional do termo, mas simplesmente uma presença que se movia pelo universo, não que pudesse fazer muita coisa para transformar minha vontade em ação, mas pelo menos conseguia ver o que se passava, o que já era bastante interessante por si só. Nesse estado quase etéreo, em um lampejo de vontade, tomei controle do meu sonho e me afastei da Terra, tão rápido quanto a luz. E no que foi uma fraçaõ de segundo para mim, o universo envelheceu alguns bilhões de anos.

Quando dei por mim, “Que estrelas são essas?”, pensei. Desconhecido – Longe no tempo e no espaço do pequeno planeta que havia vivido minha vida. Ele ainda existiria? Teria a humanidade esvanecido nas infinitas eras que se passaram? Foi quando perguntei para um cometa, do tipo velho e que tinha visto muita coisa por aí nas suas muitas eras de viagem intergalática, “Sr. Cometa, você viu algum humano por aí?”, perguntei.

“Umm, humano? Dê uma olhada por ali”. Segui a direção dada pela velha rocha e, para meu espanto, vi que a humanidade ainda existia! Raça de seres orgulhosos e fortes, havia superado todos os obstáculos e criado uma poderosa civilização que se estendia de uma ponta a outra da galáxia!

Mas se existe vontade nos sonhos, é uma ilusão, porque mal tive essa visão de glória, fui transportado mais uma vez para um futuro ainda mais remoto, além de qualquer compreensão humana. Vi sóis morrerem e virarem estrondosas Novas que destruíram tudo ao seu redor, mas mesmo elas são apenas uma faísca no grande universo. Lentamente, vi as cores do universo mudarem de um tom vermelho para o azul, se no início havia infinitas possibilidades, no fim tudo convergia para um único destino: O inverno termodinâmico.

Foi quando vi que só eu existia no universo e que fora a voz da minha consciência só havia o silêncio e a paz que só poderia existir fim de todas as coisas. A vida de um universo chega ao fim e junto com ela, o meu sonho.

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One Response to Uma visão do futuro

  1. Dani says:

    Você me devolveu o status de pessoa comum e eu costumo ser vingativa. No entanto, não posso deixar de admitir que somente uma pessoa extraordinária poderia sonhar algo assim e, como se não bastasse, escrever tão bem sobre isso.
    Desejo sorte e muita perseverança em sua árdua batalha para deixar de vez o time dos blogueiros fracassados (do qual vergonhosamente faço parte).

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