O terrível dia em que pulei carnaval

Um belo dia estava eu pacificamente andando pela unicamp, enquanto converso com um amigo recém-feito, e ele descobre que eu sou carioca. Pois sim, caro leitor, embora talvez não pareça, eu venho das terras úmidas e quentes do Rio de Janeiro. Aí ele diz: “Sério? Por que você não tem quase nenhum sotaque!”

Assim começa uma das mais estranhas sagas da minha vida, eis que depois dessa observação, comecei a pensar sobre se eu de fato era carioca, pois não sou exatamente aquilo que se pode chamar de “um típico produto das praias cariocas”, não tenho o jeito malandro, não gosto de praia, não gosto de sol, entre outros.

Mas foi aí que recebi um bizarro convite, que em condições normais seria imediatamente rejeitado: Ir ao famoso Monobloco (http://en.wikipedia.org/wiki/Monobloco) no carnaval. Pois bem, como melhor verificar se sou de fato carioca senão indo no bloco de carnaval mais famoso da cidade, quiçá do país?

Assim, fui no Monobloco. O negócio é basicamente assim, um conjunto infinito, monstruoso, impensável de pessoas se junta numa das entradas estações de metrô da cidade e vai andando até outra estação, um percurso tecnicamente pequeno, mas não tenha ilusões, isso é um bloco de carnaval, são 400.000 pessoas andando em uma rua. O bloco passa pela Av. Rio Branco, outrora, uma rua principal do centro financeiro da cidade, mas naquele dia uma via para o bloco, cheia de tambores, fitas e penduricalhos de carnaval. Passa também pela famosa Biblioteca Nacional, templo do conhecimento, mas naquele dia, uma arquibancanda de descanso para o cansado folião, sem falar nos vendedores de bugingas coloridas.

Pois bem, como funciona um bloco? Você, leitor nerd como eu, se pergunta. É assim, existe um bloco, que é uma banda em cima de uma estrutura de metal com um motor que… anda. As pessoas seguem pacificamente o bloco dançando e batucando até chegar no seu destino, quando a multidão se dispersa.

Não, assim é como *deveria* ser, ingênuo leitor, na verdade existe uma multidão suada que se espreme em direção ao “meião” do bloco. Essa é a prova definitiva da falta de racionalidade das pessoas, se as pessoas fossem racionais, agiriam como um gás. Cada partícula de folião iria para o seu lado e na média tudo estaria mais ou menos equilibrado, i.e. não muito apertado. Mas não, parece que uma das coisas mais legais do bloco é ficar apertado entre indivíduos desconhecidos mesmo.

Além disso, no União Soviética não é você que corre atrás do bloco, é o bloco que corre atrás de VOCÊ! ops, por União Soviética eu quis dizer Brasil mesmo. Porque é assim que acontece, o bloco anda ATRÀS da multidão, que por lerdeza ou latência fica parada, até que o grau de emprensamento cria uma onda de choque humana tão grande que pôe em dúvida a lei de Newton da impenetrabilidade e você simplesmente faz uma fuga em uma dimensão paralela e aparece uns metros adiante, essa é a única explicação racional que consigo obter para ter aparecido em uma posição diferente na fração de segundo enquanto piscava os olhos!

Enfim, assim termino meu relato do fatídico dia em que pulei o carnaval. Agora não se atrevam a fazer novamente a pergunta se sou carioca :p

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2 Responses to O terrível dia em que pulei carnaval

  1. Carol says:

    Eu posso confirmar isso de que num bloco de carnaval é possível atravessar dimensões paralelas. Conheço gente que já conseguiu subir uma parede de costas, de tanto ser imprensado pela multidão! =O

    • Victor Oliveira says:

      É, mas dado o que eu já ouvi, eu não me admiraria da pessoa chegar depois e “Nooossa, foi tão legal subir na parede”. Afinal, como pode um bloco ser ruim né? xD

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